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As teorias de liderança

28/10/2011

A liderança é caracterizada pela capacidade de influenciar grupos de pessoas para a consecução de objetivos. Logo, é um fenômeno social e a sua importância é inegável para as organizações sociais, especialmente às empresas e todas as demais organizações as quais dependem de resultados por meio de pessoas. Mas como desenvolver e exercer a liderança? A seguir, são apresentadas – simplificadamente – as abordagens e teorias sobre a liderança, no sentido de tentar clarear um pouco o assunto, apesar de este possuir natureza complexa, como quase tudo em ciências sociais.

Uma das primeiras teorias surgiu nos anos 1930. Era a Teoria dos Traços de Liderança, a qual enfatizava, de forma simplista, que os líderes possuíam traços específicos de personalidade, e até físicos, que os distinguiam das demais pessoas. Alguns exemplos são traços físicos, intelectuais, sociais (inteligência, carisma, entusiasmo, capacidade de decisão, força, coragem, integridade, autoconfiança e outros). No entanto, pesquisas não comprovaram a eficácia de tais traços, os quais não são exclusivos de supostos líderes. Isso não significa que não sejam, de certa forma, importantes, haja vista que tais traços podem contribuir para o exercício da liderança, em muitas situações.

Na mesma época, surgiu a Teoria dos Estilos de Decisão dos Líderes. O foco desta teoria concentrava-se mais especificamente em como os líderes tomavam decisões e os efeitos que isso produzia nos índices de produtividade e satisfação geral dos liderados. Assim, três estilos principais de decisão foram identificados: autocrático: em que o líder toma praticamente todas as decisões por si mesmo, minimizando a contribuição dos subordinados; democrático: em que os subordinados participam da tomada de decisões; e liberal: em que o líder deixa o grupo administrar a si mesmo, com intervenções mínimas.

Tais constatações suscitam uma questão relevante em relação ao estilo de decisão de líderes: afinal, qual é o estilo de decisão mais adequado? Num primeiro momento, tende-se, em geral, a responder que seria o estilo democrático. Entretanto, tudo dependerá da situação, ou seja, dependendo das atividades a serem realizadas e do perfil dos seguidores, o líder definirá o estilo de decisão. Assim, se o grupo possui capacidade e maturidade suficiente para gerenciar a si próprio, pode-se usar o estilo liberal. Em outra situação, pode-se usar o estilo democrático utilizando-se da participação dos liderados. E em outro momento, se a situação exigir, o estilo autocrático pode ser o mais adequado porque permite que o líder tenha controle total das atividades a serem realizadas ao determinar, por exemplo, o que, quando e como fazer.

Outros estudos tiveram como foco o comportamento do líder, no sentido de descobrir se existe algo único ou especial na forma como os líderes eficazes se comportam. Basicamente, três estudos levam a conclusões semelhantes ao enfatizar que os líderes eficazes possuem comportamentos orientados para o relacionamento com as pessoas e/ou orientados para os objetivos e metas, para a produção, para a realização de tarefas. Os Estudos da Ohio State University, no final dos anos 1940 e a teoria da Grade Gerencial de Blake e Mouton, nos anos 1950, concluíram que o ideal seria o líder ter o comportamento orientado tanto para o relacionamento com as pessoas quanto para a produção ou realização de tarefas. Os Estudos da Michigan University, também no final dos anos 1940, concluíram que o ideal seria o líder possuir o comportamento orientado para o relacionamento com as pessoas. Mais tarde, nos anos de 1970, Estudos Escandinavos concluíram que o comportamento orientado para o desenvolvimento, baseado na criação de novas idéias e implementação de mudanças, seria uma dimensão adicional do comportamento de líderes mais adaptada aos novos tempos.

Outro conjunto de estudos sobre liderança enfatizava que a liderança é mais complexa do que isolar traços de personalidade ou comportamentos. São as denominadas teorias contingenciais ou situacionais de liderança.

Um destes estudos é o Modelo de Fiedler, o qual propõe que a eficácia do grupo depende da combinação entre o relacionamento do líder com seus subordinados e o grau em que a situação proporciona controle e influência ao líder. Assim, três fatores situacionais influirão de forma combinada na eficácia da liderança: a relação entre líder e liderados é representada pelo grau de confiança, credibilidade e respeito que os seguidores têm para com o seu líder; a estrutura da tarefa significa o grau em que os procedimentos são estabelecidos no trabalho; o poder da posição é caracterizado pelo grau de influência que um líder tem sobre as variáveis de poder, como contratar, demitir, disciplinar, promover e dar aumentos de remuneração. Posteriormente, Fiedler e Joe Garcia reconceitualizaram a teoria anterior por meio da Teoria do Reforço Cognitivo e propuseram que o estresse afeta desfavoravelmente a situação, haja vista que o estresse é inimigo da racionalidade. Logo, a inteligência e a experiência do líder podem diminuir essa influência sobre ele.

A Teoria Situacional (ou do Ciclo de Vida), de Hersey e Blanchard, concentra-se nos seguidores. O estudo parte do princípio de que são os seguidores que aceitam ou rejeitam o líder. Assim, independentemente do que o líder faça, a eficácia da liderança depende de seus seguidores. A teoria baseia-se principalmente na maturidade ou imaturidade dos seguidores e na natureza da tarefa. Os autores ilustram a teoria com o relacionamento entre pai e filho, pois os pais usam um estilo mais diretivo no início da vida dos filhos e, depois, com o amadurecimento, um estilo mais permissivo. Assim, o estilo do líder depende do diagnóstico da situação.

A Teoria da Troca entre Líder e Liderados, de George Graen e Associados, argumenta que o líder tem relações especiais com um grupo de subordinados, e estes terão melhor desempenho. O estudo afirma que no início do relacionamento, o líder implicitamente categoriza o liderado como um “de dentro” ou “de fora”, e essa relação permanece relativamente estável. Há evidências de que a categorização como um “de dentro” ocorre em função de características pessoais como sexo, idade e atitudes similares às do líder.

A Teoria Caminho-Objetivo, de Robert House, deriva da crença de que líderes eficazes esclarecem o caminho para ajudar seus seguidores na consecução dos seus objetivos, reduzindo barreiras. Assim, o comportamento do líder é aceitável quando é percebido como uma fonte de satisfação de necessidades do grupo. O comportamento do líder é motivacional quando relaciona o desempenho eficaz à satisfação de necessidades dos liderados e quando dá treinamento, direção, apoio e recompensas pelo desempenho eficaz. Mas tudo de acordo com o que a situação exigir e é importante lembrar que o líder pode ser ineficaz se redundar sobre coisas que os seguidores já conhecem ou possuem.

O Modelo Participação-Liderança, de Vroom e Yetton (1973), também enfatiza que o líder deve ajustar seu estilo de decisão às situações. O estudo foi baseado num modelo complexo de pesquisa (doze variáveis contingenciais + oito tipos de problemas + cinco estilos de liderança) para estabelecer a forma e quantidade de participação no processo decisório, de acordo com diferentes situações. As conclusões, de forma geral, indicam que o estilo de liderança pode ser autocrático ou assumir formas mais participativas chegando até o estilo completamente consensual. Tudo vai depender da situação. Assim, o comportamento do líder deve ser flexível.

Dentre as abordagens recentes destaca-se a Teoria da Liderança Carismática, de House e Bennis. De acordo com esta teoria (que para alguns autores é apenas uma extensão da teoria dos traços de liderança), os liderados fazem atribuições de capacidades heróicas ou extraordinárias à liderança quando observam certos comportamentos. Os líderes carismáticos apresentam comportamentos ou características como: visão e autoconfiança, fortes convicções em relação à visão, são sensíveis às limitações ambientais e necessidades dos liderados, têm comportamentos diferentes dos comuns e possuem a imagem de agentes de mudanças. Há correlações positivas entre liderança carismática e alto desempenho e alta satisfação entre os seguidores. É importante ressaltar que os líderes podem ser treinados para demonstrar comportamentos carismáticos.

Além do carisma, duas abordagens de liderança ainda merecem destaque. Por meio da denominada Liderança Transformacional, o líder inspira os seguidores a transcenderem seus próprios interesses para o bem da organização e estimula esforços extras. Por meio da Liderança Visionária, o líder cria e articula uma visão realista, crível e atraente do futuro para uma organização a partir do presente. Dá partida para o futuro, clamando por habilidades, talentos e recursos para acontecer. Percebe-se assim que estas duas últimas abordagens de liderança complementam e também usam a abordagem carismática. Por fim, convém registrar que grande parte das teorias de liderança descritas acima pode ser encaixada na abordagem da chamada Liderança Transacional, na qual o líder guia ou motiva seus seguidores na direção de metas estabelecidas, esclarecendo as exigências do papel e da tarefa.

As teorias de liderança sintetizadas neste texto mostram a diversidade de formas de se tentar compreender o complexo fenômeno da liderança. Apesar desta complexidade, tais teorias oferecem informações importantes para aqueles que pretendem desenvolver e exercer a liderança nos diversos espaços sociais em que atuam. Neste sentido, pode-se observar a existência de diversos livros no mercado editorial sobre o tema liderança. É necessário dizer que muitos desses supostos manuais de liderança são limitados e mostram experiências específicas de autores ou mesmo apenas as suas opiniões sobre o tema. A maioria oferece uma lista de qualidades, competências, habilidades e comportamentos, no típico estilo auto-ajuda, o que seria a receita de sucesso para quaisquer pretendentes a líderes, em quaisquer circunstâncias e com quaisquer liderados. Bom, sabemos que isso não funciona! O mundo social é muito complexo para ser reduzido a uma simples “receitinha”.

Diante do que foi exposto, resta-nos o sincero desejo de sucesso àqueles que pretendem desenvolver e exercer a liderança! Os mais diversos espaços sociais do mundo, longínquos ou próximos de nós, precisam de bons líderes! Os seguidores ou liderados os aguardam!

PDF: As_teorias_de_lideranca.pdf

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Observação: detalhes sobre as teorias de liderança poderão ser consultados em livros de Comportamento Organizacional.

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